Há muito tempo sob a colossal sombra de New York está Philadelphia, uma das maiores cidades dos EUA e das mais importantes – se não a mais importante – historicamente. A partir dos anos 90 o turismo passou a receber mais atenção da prefeitura e mais turistas aparecem na cidade como consequência, o albergue em que fiquei estava lotado o tempo todo e tinha localização privilegiada para visitar os pontos mais conhecidos do centro da cidade, conhecido como Center City.
***
Center City é onde fica a maior parte dos prédios históricos na cidade, boa parte deles ainda em pé desde sua construção, sem réplicas. Esta região – e as outras que conheci – são bastante convidativas a caminhada, as bicicletas são poucas mais pela falta de ciclovias, mas mesmo assim vi algumas. A disposição das ruas segue a regra da maioria das cidades americanas, em quarteirões quadrados e seguindo numeração ou ordem alfabética, o que facilita a localização apesar de, como na maioria das cidades americanas, as ruas serem extremamente longas e terem os detalhes de “north” ou “south” aos seus nomes. O mesmo se repete em South Philadelphia e Spring Gardens, os outros bairros onde estive.


***
A maioria dos prédios históricos fica em Center City e podem ser visitados de graça se estiverem abertos. O mais conhecido, e talvez mais importante, chamado Independence Hall é de graça. Foi aqui que a Declaração de Independência e a Constituição dos EUA foram discutidas e assinadas. O prédio sedeava a Assembléia Legislativa da colônia Pennsylvania, por ser uma das poucas estruturas de administração pública e ficar na maior cidade do país à época. Outros interessantes, como o Second Bank of US, American Philosophical Hall e Quaker Meeting House normalmente não estão abertos. Há ainda o Elfreth’s Alley, a mais antiga rua continuamente habitada nos EUA, e a grande maioria das casas em Center City e Society Hill, a maioria delas data do século XVIII e se conservam até hoje.


***
A arquitetura da maioria dos prédios históricos é georgiana, construídos com certa simplicidade devido à precariedade da cidade e da colônia. O Second Bank of US adota o estilo neogrego, com fachadas elaboradas e colunas grandiosas, em voga após a independência para ligar o nascente EUA à Atenas democrática, como herdeiros diretos desta forma de governo. Mas a verdadeira jóia da cidade é a Prefeitura de Philadelphia, um enorme prédio em bloco de arquitetura neoclássica inspirada pela Paris do Barão Haussmann que ocupa quase um quarteirão inteiro sozinho. Há ainda uma torre com uma estátua de William Penn, fundador da Pennsylvania, que o tornou o prédio mais alto do mundo entre 1901 e 1908. A riqueza de detalhes e suavidade das curvas, janelas e portas é impressionante, assim como a altura: é muito difícil não ver a torre de William Penn ao lado dos arranha-céus modernos.

***
Philadelphia foi fundada para que os quakers e outros sectos e fés perseguidos pudessem viver sem perseguições, e esse caráter tolerante ainda se reflete na cidade: existem muitos imigrantes e é comum ver pessoas de diferentes grupos étnicos ou religiosos convivendo juntos – não tanto quanto em NY ou na Califórnia, mas ainda bastante. Mesmo assim existe certo histórico de protestos raciais e atitudes abusivas da polícia contra minorias.
***
O melhor reflexo desta cultura variada está na culinária, Philadelphia foi a cidade onde melhor comi até agora. Experimentei o conhecido Phillly Cheesesteak do Jim’s Steaks e não achei grande coisa, no entanto fui ao Italian Market em South Philadelphia e almocei no Ralph’s, restaurante italiano mantido pela mesma família desde sua construção em 1900, pedi a Vitela à Parmigiana acompanhada por Spaghetti ao Sugo e precedida por uma Caesar Salad, tudo delicioso e da melhor qualidade – a vitela foi a melhor que comi e é uma especialidade da casa. Outro restaurante em South Philadelphia é o Hardena Restaurant, pequeno restaurante indonésio conhecido na região – os donos comentaram que viram gente de Washington vi, mas nunca do Brasil. Comi Beef Rendang, Cozido de Cordeiro e uma combinação de molhos com tiras de carne de soja, tudo em cima de uma porção de arroz compresso e acompanhado por Jasmine Tea por recomendação dos donos, imigrantes indonésios. O sabor foi algo que nunca senti na vida, especialmente no Rendang, e por isso é o melhor restaurante a que fui nesta viagem. Se houver Rendang no Brasil estarei lá.


***
É curiosa a relação que os habitantes de Philadelphia tem com sua própria cidade, poucas no mundo tem um apelido tão carinhoso quanto Philly, e este carinho é percebido na maneira como as pessoas falam da própria. Mesmo com todos os problemas que possuem ainda a amam fortemente e veneram seus filhos – mesmo Edgar Allan Poe, que não é de lá e passou 6 anos na cidade teve lá seu momento mais produtivo, onde escreveu por exemplo O Gato Negro -, que Philadelphia continue saindo da sombra de NY para ser mais visitada.

***
Como ponto de interesse há ainda a Benjamin Franklin Parkway, avenida inspirada na Champs Elysées de Paris, alinhada com belas árvores, estátuas e museus. Um deles é dedicado somente a Auguste Rodin, porém está fechado temporariamente para reformas. Há também a Basílica dos Santos Pedro e Paulo, uma grandiosa catedral com belos vitrais e arquitetura, e o conhecido Philadelphia Museum of Art, conhecido pelos Rocky Steps, degraus que Rocky Balboa subiu correndo no filme. O museu possui uma belíssica coleção de arte asiática, reproduzindo templos e salas inteiros dentro do museu; o mesmo acontece nas alas de arte européia, onde até mesmo portas da Idade Média nos levam às outras salas. Vale a pena passar alguns dias em Philadelphia para conhecer a cidade, dá para comer e beber bem, ouvir boa música e, de quebra, aprender um pouco de história e cultura.


Páginas
Blogroll
- As Vadias do James Brown (Ricardo Carlaccio)
- Blog do Birner
- Blog do Juca
- Confabullare (Desiree Machado)
- Delusions of a Sick Man (Fernando Tooru Yamashita)
- Displicência (Filipe Torres)
- Escória Pop
- Impedimento
- Marcelo Rubens Paiva
- More Intelligent Life
- Music Addiction (Vinicius Lourenço Barreto)
- Neal Cassady Roubou Meu Maveco (Ricardo Carlaccio)
- O Carapuceiro (Xico Sá)
- O Questionador
- Photoshop Disasters
- Pills please!
- Poemblog
- Tequila Toast!
- The Rest Is Noise (Alex Ross)
- WordPress.com
- WordPress.org
-
Comentários
Raphael em O Brasil realmente não se… Raphael em O preço foi alto Fernando em O preço foi alto Fernando em O Brasil realmente não se… Raphael em O preço foi alto Arquivos
- novembro 2011
- outubro 2011
- setembro 2011
- julho 2011
- junho 2011
- maio 2011
- março 2011
- dezembro 2010
- novembro 2010
- outubro 2010
- setembro 2010
- agosto 2010
- julho 2010
- junho 2010
- maio 2010
- abril 2010
- fevereiro 2010
- dezembro 2009
- setembro 2009
- agosto 2009
- julho 2009
- junho 2009
- maio 2009
- abril 2009
- março 2009
- fevereiro 2009
Meta