O preço foi alto

*Por Paulo Vinicius Coelho

O primeiro tempo do Brasil foi muito bom. Saiu da marcação por pressão, marca registrada do Paraguai, e ainda criou chances roubando duas bolas no ataque. Teve Robinho buscando o jogo, perto dos volantes, emprestando sua experiência, como se fosse um armador de verdade. Justamente Robinho deu a Neymar a chance mais clara de gol que a seleção de Mano Menezes teve na Copa América. Mas Neymar chutou para fora.

As chances de gol sucessivamente desperdiçadas por André Santos e Lúcio fizeram de Justo Villar um dos destaques da partida, mas evidenciaram o preço da juventude. O Brasil apresentou uma equipe de futebol, lúcida, madura, envolvente. Não equipe infalível.

Neymar teve mais uma chance aos 3 minutos do segundo tempo, Pato chutou em cima de Justo Villar aos 27. E aos 36, cara a cara com o goleiro, perdeu de novo.

O preço de jogar a Copa América com um time tão jovem foi a eliminação. Jogar com os homens que não podem falhar, um aos 19 anos, outro de 21. Ainda que com a experiência no Santos e no Milan, isso pesa.

Mano Menezes responderá, com razão, que o torneio é parte da preparação para a Copa de 2014. De fato, não se pode atropelar as etapas, desde que se veja progresso na equipe. Eles existiram.

Lucas Leiva e Ramires nunca deixaram o Paraguai jogar às suas costas, Maicon e André Santos foram ao ataque alternadamente, com raros momentos em que o Paraguai conseguisse usar seus setores. Mas o ataque…

Em 12 jogos de Mano, o time marcou 16 gols. Não dá para dizer que uma seleção que jogou quatro vezes e só venceu o Equador tenha feito bom papel. Precisava chegar às semifinais para ser elogiada.

Trata-se, então, de time promissor. O jogo com o Paraguai deixou essa certeza.

JOGADA ENSAIADA

O melhor time. A primeira fase não mostrou o Uruguai convincente. Mas quando a equipe teve essa característica em início de competição? O que o time de Oscar Tabárez possui é simples: o time está formado há quatro anos e, por isso, tem variação tática, segurança na defesa, rapidez no ataque, do destaque Luis Suárez. Também tem a grande história da Copa América. O goleiro Muslera, que nasceu em Buenos Aires no dia em que o Uruguai foi eliminado da Copa de 86 pela Argentina.

A maior surpresa. Na história, a seleção peruana sempre teve grandes jogadores. Não se fala de gerações passadas, como Tolo Fernández ou Teófilo Cubillas. Há pouquíssimo tempo, o time tinha Pizarro e Farfán. O que castiga o futebol peruano é a falta de estrutura e de organização de sua federação nacional. O técnico uruguaio Sergio Markarian deu organização à equipe, num 4-2-3-1, com destaque absoluto para Vargas, o melhor jogador de meio de campo do torneio.

4 respostas para O preço foi alto

  1. Só não concordo muito com o PVC que a idade foi um fator grande para a má atuação do ataque brasileiro na maioria do torneio.

  2. Eu tendo a concordar com ele, a falta de tranquilidade do Neymar, desaparecimento do Ganso e má atuação do Pato tem muito a ver com inexperiência. Ainda que o Pato jogue no Milan, já tenha enfrentado grandes jogos e por isso mesmo deveria estar mais calejado, acho que pesou bastante sim.

  3. Falta de experiência, com absoluta certeza. Mas na minha opinião não foi somente dos mais jovens. Acredito que faltou experiência pro Mano Menezes, que posicionou o time muito aberto e separado tirando a melhor característica deste ataque que seria a troca de passes e posições rápida; para o Robinho, que a esse ponto já é macaco velho e deveria saber que como o “veterano” da seleção deveria tomar uma atitude mais séria e de liderança; para o Júlio César, que apesar de ter admitido o erro, ainda me saiu com um ar de soberba, afinal convenhamos, cair de lado em um chute no meio do gol é o erro mais básico possível; para a zaga como um todo que foi muito afobada, em momentos fazendo a ligação direta quando desnecessário em outros a loucura do Lúcio, que nunca aprende; do Lucas por uma expulsão crítica; por fim da seleção como um todo, por não saber se portar, a exemplo dos times brasileiros, em uma competição séria e de mata-mata. Existem tantas outras instâncias que a falta de experiência em diversos espectros do futebol nos levou à essa eliminação, que pessoalmente limitar a razão à idade, ou a falta de, de Ganso, Neymar e Pato é fazer como sempre fazemos, ignorar a “big picture” (mais uma vez me escapa o termo em português). Como eu disse, não acho um fator grande, mas não nego que foi um fator.

  4. A troca de posições aconteceu nos lances de perigo do Brasil, o problema é que o único que jogou bem no ataque foi o Robinho, que pra mim foi o melhor do jogo (por incrível que pareça), mas se for pra esperar atitude de liderança dele é melhor pegar um banquinho…concordo com o restante, só acho que a inexperiência do Ganso, Pato e Neymar tem um peso maior pro time, porque quando o jogo estiver difícil a bola vai procurar o pé deles. E pra quem está começando na seleção há pouco tempo, a camisa pesa e a bola queima, por isso acho sim que ela foi um fator grande.

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