Um dos principais pontos positivos de New York é o bom uso que faz do parco espaço público em Manhattan. Apesar de ser uma ilha fina e comprida, existem muitas praças e pequenos parques públicos em quase todos os bairros, que servem exatamente às pessoas que moram na região; onde estou hospedado, Gramercy Park, há o Madison Square Park, Gramercy Park e Union Square, todos bem arborizados, com esquilos passeando entre os humanos e bons espaços para corrida, Tai Chi Chuan e ler livros no meio da pulsão constante da cidade. Não há um isolamento total (só direi se é impossível depois de visitar o Central Park), mas dá sim tranquilidade, item muito necessário aqui.


Não só nos pequenos parques, o respeito ao espaço público é perceptível nas calçadas; claro, não é um tapete, mas são tranquilas para caminhar mesmo para mulheres de salto; nos parques mais extensos, como o novo High Line; e nas ausência quase total de shopping centers, a grande maioria das lojas fica na beira da rua, sem recuo, assim como os restaurantes, cinemas, teatros e livrarias. O grande benefício é uma intensa vida em comunidade, onde sempre há gente indo e vindo, que reforça a sensação de segurança, com boas opções em seus próprios bairros, precisando realmente se aventurar para longe apenas em situações específicas – falo de Manhattan, ainda não fui aos outros “boroughs” mas me dizem que o Brooklyn é semelhante, enquanto o Queens e The Bronx avançam neste sentido, Staten Island atrás dos dois.

Mesmo sem muito espaço existem soluções criativas, que fazem bom uso do solo plano pela ilha quase inteira. O exemplo
é o mesmo High Line, parque urbano criado no lugar de um trecho de trilhos elevados abandonados pela MTA, empresa que gere o transporte público nova-iorquino. Ao invés de simplesmente implodí-los, foram transformados num parque elevado à maneira do Promenade Plantée de Paris, com muito verde e um deque bom para caminhada e corrida – skate é permitido, mas bicicleta não. Por que não fazer o mesmo com o Elevado em São Paulo?
Por outro lado, o transporte público tem alguns problemas e é muito complexo nos primeiros dias do turista. Pra começar, a rede de metrô atende muito bem a cidade como um todo, existem muitas estações, no entanto por conta da geografia de Manhattan, fina e comprida, não existem linhas que cruzem a cidade na horizontal. Para atenuar todas elas em algum momento fazem uma curva acentuada, quando segue em direção ao The Bronx, Queens, Brooklyn e Staten Island, mas mesmo assim em muitas situações é preciso andar vários quarteirões para achar uma estação. As estações em si não são como em SP, onde vocë escolhe seu destino após passar a catraca, algumas estações indicarão na entrada na rua qual o sentido do lado em que você está entrando, no meu caso, a estação ais próxima é, de um lado da rua, Uptown & The Bronx, do outro, Downtown & Brooklyn, e se você passar a catraca, perdeu. Outro ponto, em algumas regiões da cidade as linhas correm em paralelo e não há pontos de encontro entre elas, logo para trocar você precisa sair do trem, andar, entrar na outra estação para descer naquela que pretende. Por isto existem ruas que tem mais de uma estação, sendo o nome exatamente o mesmo, o que gera mais confusão. Como exemplo, na 23rd Street, próximo de onde estou, existem três estações de metrô diferentes para linhas distintas, e as três se chamam 23rd Street. Há, ainda, a característica de cada linha de metrô, algumas são expressas, ou seja, param apenas nas principais estações, e existem as locais, que param em todas. Poderia ser mais fácil e amigável, mas com um pouco de prática é possível entender a lógica.
Ainda assim, em termos de preservação do espaço público e extensão da malha do transporte público, NY está muito a frente de maioria das cidades. Combinando o apreço a necessidade de movimento com a preservação do aspecto de comunidade em seus bairros, NY mostra que entende o quão importante é ter uma cidade vibrante à vista e sem se guetizar. Que as outras se mirem nos exemplos positivos – e não no esquema metroviário daqui, os turistas agradecerão.